segunda-feira, 23 de julho de 2012
O menino e o sol dourado
Certo dia, um menino disse ao seu pai que tinha visto o sol dourado. - Mas, meu filho, o sol sempre foi dourado - disse o pai com um sorriso discreto no rosto.
O sol, neste momento, estava mais para vermelho do que para dourado. Era o pôr do sol. No dia seguinte, o menino acordou lá pelas 5:30h da manhã só para ver o sol nascer. E quando ele aparecia, era como se junto com ele viesse a felicidade. O menino pulava de alegria e gritava bem alto: o sol! Ali está o sol! Olhem, venham ver como é lindo! - ele saía pela casa toda e acabava acordando a todos. Depois de alguns poucos dias desta descoberta, seu pai o chamou e disse: - meu filho, o sol nasce todos os dias. Você não precisa fazer toda essa festa de manhã cedo e acordar os outros que estão dormindo.
O pai do menino trabalhava como caminhoneiro e não ficava muito tempo em casa. Nesses últimos dias em casa, estranhou muito o comportamento do seu filho. Porém, não sabia de algo que estaria por revelar-se. Algo que sua esposa ainda não tinha contado para ele.
Então, seu filho, que era tão alegre e contagiante com a questão do sol, disse: - papai, sabe porque fico tão feliz quando nasce o sol?
Não, meu filho - respondeu o pai com muita curiosidade.
Papai, é porque há dois ou três dias, fui ao médico com a mamãe e descobri que estou ficando cego. E a única coisa que consigo ver nitidamente é o sol dourado.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
A carta
A
carta
Eu
queria lhe escrever uma carta romântica
Uma
carta sentimental
Onde
eu pudesse expressar
O que
só você deve saber
Eu
queria desafiar o perigo
Eu
queria desafiar a vida
Eu
queria o seu abrigo
Para
a minha alma ferida
Nunca
mais amei ninguém
Desde
que você partiu
Não
quero culpar alguém
Por
este ato vil
Minhas
palavras são versos soltos
Não
consigo falar junto ao coração
Os
verbos se tornam tolos
Sem a
concordância da paixão
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Previsão do tempo
Previsão do tempo
Tempo parcialmente nublado com probabilidade predicativas de indeterminadas chuvas. Na subida da Rua Mesócles, um sujeito caiu dentro de um trema e veio a falecer. Outras duas pessoas ficaram gravemente feridas na caixa baixa: o sr. Hífen e a dona Crase. Alguns pontos da cidade permanecem em estado de exclamação. A população requer uma resposta do governo. As interrogações são constantes. O povo quer saber quando, como e porque de tudo isto. Neste contexto, não podemos esquecer dos empregos. O governo disponibilizou alguns verbos para os programas radicais de coesão das classes mais gramaticais. Resta saber se a preposição votará contra no pleonasmo federal. Algumas conjunções adversativas manifestam no espaço de Brasília. Com isso, a senadora Reticência Vírgula Parágrafo, verbalizou sua análise no discurso dado ontem à noite contra o movimento transitivo indireto. Entretanto, não podemos ainda ter um resultado da interpretação textual e tão pouco de que o governo irá fazer nesta frase. Mas uma certeza nós temos: que o ponto final desta história não acabará em pizza.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Boca em chamas
Boca em chamas
(Luciano Deschamps)
Em sua pele
Refletindo
o brilho dos seus cabelos
Sinto o seu
cheiro de mulher
Seu calor é
o sol
Sua boca...
Que chama a
minha para a paixão
Me atraio
nesse olhar
E te beijo
no mar desta emoção...
Minha boca
aquece
Chama da
sua na minha
Queima
minha língua de desejo
Única
Tom sobre
tom
Pele sobre
a minha
Pelos
inteiros e medidos
Suspiros,
respiros e delírios
Linha longa
nos separa
Linha fina
nos apara
Repentina
atração inesperada
Seu nome
lindo me acalma.
domingo, 3 de junho de 2012
Ato - Luciano Deschamps
ATO
Em teus seios que me prendo envolto aos teus olhares
Tragado pela coxa entre mim envolta
Em beijos leves que em mim me segues
Subo e desço e te deixo louca
domingo, 6 de maio de 2012
Atriz
Atriz
Luciano Deschamps
12/2010
Em olhos
que guardam a luz do palco
e em um
abraço aquece o ato
consumado,
ensaiado, decorado
rosto
pálido, enfático, sorriso branco, opaco...
Fala a
língua afiada palavras memorizadas
solta
pausas, compassos e paradas
lenta,
rápida, mágica, baixa, alta - entonação
resume
perfeita a sua encenação
Sobe a
cortina, você aparece
A luz
acende e você obedece
Luz, som,
público, aplausos
Lágrimas,
suspiros, sustos, sorrisos
Blackout!
Silêncio – longa pausa
Suspense,
clímax, descanso, calma
Plateia
levanta, aplaude de pé
Você
recebe, sorri e agradece
A cortina
se fecha e fica a saudade
sábado, 5 de maio de 2012
Minha vassoura
Aos meus 8 anos de idade, escrevi este poema. Com o passar dos anos, adaptei a linguagem do poema, mas a essência permanece. Espero que gostem.
Eu tinha uma vassoura de piaçava
Que parecia viva
Ficava sempre no canto da sala
Esperando a próxima varrida
Às vezes alguém a pegava
Pelo cabo de madeira
Colocavam um pano na ponta
E limpavam a sala inteira
Era o cúmulo
O acúmulo da sujeira na piaçava
Assim a vassoura não respirava!
Sonhava que alguém a limpasse
E de cabeça para cima a colocasse
O tempo passou e a vassoura se acabou
Tristes “memórias de um cabo de vassoura”
Quando enfim cheguei e olhei
Joguei-a fora, e outra vassoura comprei.
Que parecia viva
Ficava sempre no canto da sala
Esperando a próxima varrida
Às vezes alguém a pegava
Pelo cabo de madeira
Colocavam um pano na ponta
E limpavam a sala inteira
Era o cúmulo
O acúmulo da sujeira na piaçava
Assim a vassoura não respirava!
Sonhava que alguém a limpasse
E de cabeça para cima a colocasse
O tempo passou e a vassoura se acabou
Tristes “memórias de um cabo de vassoura”
Quando enfim cheguei e olhei
Joguei-a fora, e outra vassoura comprei.
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