quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Abrigo - Luciano Deschamps


Sozinho e com frio
Minha alma procura abrigo
O silêncio e a solidão são meus amigos
Não quero o mar, os pássaros ou os rios

E quando a noite vem suave e fria
Lembro-me dos seus olhos e seu sorriso
E antes que chegue o calor do dia
Em você, meus pensamentos encontram abrigo

Antes do amanhecer, você já estava comigo
Antes do pôr do sol, sonhei contigo
O tempo não tem significado para mim
Porque no tempo deste amor está o meu abrigo.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A vida e a paz



O que é a vida? Um breve momento
O que é o tempo? A passagem da vida

Eu passo longe do seu ego
Desejo o incerto e o incorreto
Troco palavras com o vento
E espero um encontro com o tempo

Por você, sou capaz de fazer um novo poema por dia
Fazer com que o dia nublado tenha sol
E que os dias de tempestade tenham o céu azul

Encontrei em ti
Tudo o que não havia em mim
Sereno como teu olhar
É a paz que pude achar

terça-feira, 11 de setembro de 2012

BRASIL



Verde
Eras teu solo
Recebeste em teu colo
Pés que te prendeste

Amarelo
O ouro roubado
O povo ousado
Que veio calado
Destruir o belo

Azul
Do teu céu imenso e estrelado
Revelado em lagos e oceano
Nos olhos do outro abraçado
Por um negro escravizado

Branco
Que surgiu em meio ao negro
Trouxe a escrita e a letra
Canetas de fogo e ganância
Termina em morte a liberdade
Escravizada na fala da tua sorte

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A fala do poeta




Grandes poetas falam de grandes mulheres
Poetas falam de mulheres inteligentes, mulheres maduras
Mulheres lindas e mulheres feias
Mas as feias não são assim

Porque não há mulher feia
A sua beleza é interna, única
Mulheres que viveram e mulheres que morreram
Mulheres que sabem ser mulheres

Poetas que falaram de mulheres da vida
Eu, porém, como poeta que sou
Falo apenas de uma mulher
A mulher da minha vida

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Poeta ambulante


Bom dia, senhoras e senhores! Eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando. Mas estou aqui declamando, recitando... Hoje, trago aqui, dois ou três poemas em minha mão. Mas que não estão em promoção. E também não virou o caminhão! Aí fora, estão cobrando cerca de 20 ou 30 aplausos por poema. Eu ofereço dois poemas por apenas 15 aplausos. E se você levar mais um, eu aplaudo você. Alguém aí vai querer? Quem mais, quem mais? Olha que está acabando! Poesia está em extinção. Gente, poesia não se acha em qualquer esquina! To indo, hein! Mais alguém?


Aos que compraram, meu muito obrigado! Aos que não puderam, agradeço da mesma forma!



Eu sou um poema ambulante. E me orgulho disto!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O escritor, a caneta e o papel



A mão do escritor se aproxima da caneta. A caneta olha pra ele e diz:
- O que você quer comigo?
- Apenas escrever em folhas de papel.
- Mas eu preciso saber o que será escrito, pois eu posso falhar.
O escritor para e pensa. Olha vagarosamente para o papel e pergunta:

- O que você quer que eu escreva?
O papel, mesmo branco e pálido de temor, responde:
- Palavras que não precisem ser apagadas. Frases que não necessitem ser esquecidas e histórias que jamais sejam perdidas.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

FAVELA





FAVELA

 As ruas, antes feitas de barro
Os pés dos meninos chutavam a bola
A mãe gritava: Menino, cuidado com o carro!
E outros, voltavam da escola
As pipas no céu coloriam os dias
Peões giravam, enquanto meninas pulavam
A pobreza esquecida nas alegrias
Adolescentes nas esquinas, cantavam
Um som abrupto rasga a noite
Silêncio e medo dominam o terreno
E no sereno noturno, o cheiro do sangue
É o fim da vida daquele pequeno
A aquarela de tinta vermelha
Descoloriu a vida daquela favela