segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O escritor, a caneta e o papel



A mão do escritor se aproxima da caneta. A caneta olha pra ele e diz:
- O que você quer comigo?
- Apenas escrever em folhas de papel.
- Mas eu preciso saber o que será escrito, pois eu posso falhar.
O escritor para e pensa. Olha vagarosamente para o papel e pergunta:

- O que você quer que eu escreva?
O papel, mesmo branco e pálido de temor, responde:
- Palavras que não precisem ser apagadas. Frases que não necessitem ser esquecidas e histórias que jamais sejam perdidas.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

FAVELA





FAVELA

 As ruas, antes feitas de barro
Os pés dos meninos chutavam a bola
A mãe gritava: Menino, cuidado com o carro!
E outros, voltavam da escola
As pipas no céu coloriam os dias
Peões giravam, enquanto meninas pulavam
A pobreza esquecida nas alegrias
Adolescentes nas esquinas, cantavam
Um som abrupto rasga a noite
Silêncio e medo dominam o terreno
E no sereno noturno, o cheiro do sangue
É o fim da vida daquele pequeno
A aquarela de tinta vermelha
Descoloriu a vida daquela favela

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O menino e o sol dourado





    Certo dia, um menino disse ao seu pai que tinha visto o sol dourado. - Mas, meu filho, o sol sempre foi dourado - disse o pai com um sorriso discreto no rosto.
    O sol, neste momento, estava mais para vermelho do que para dourado. Era o pôr do sol. No dia seguinte, o menino acordou lá pelas 5:30h da manhã só para ver o sol nascer. E quando ele aparecia, era como se junto com ele viesse a felicidade. O menino pulava de alegria e gritava bem alto: o sol! Ali está o sol! Olhem, venham ver como é lindo! - ele saía pela casa toda e acabava acordando a todos. Depois de alguns poucos dias desta descoberta, seu pai o chamou e disse: - meu filho, o sol nasce todos os dias. Você não precisa fazer toda essa festa de manhã cedo e acordar os outros que estão dormindo. 
    O pai do menino trabalhava como caminhoneiro e não ficava muito tempo em casa. Nesses últimos dias em casa, estranhou muito o comportamento do seu filho. Porém, não sabia de algo que estaria por revelar-se. Algo que sua esposa ainda não tinha contado para ele.
    Então, seu filho, que era tão alegre e contagiante com a questão do sol, disse: - papai, sabe porque fico tão feliz quando nasce o sol?
    Não, meu filho - respondeu o pai com muita curiosidade.
    Papai, é porque há dois ou três dias, fui ao médico com a mamãe e descobri que estou ficando cego. E a única coisa que consigo ver nitidamente é o sol dourado.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A carta




A carta

Eu queria lhe escrever uma carta romântica
Uma carta sentimental
Onde eu pudesse expressar
O que só você deve saber

Eu queria desafiar o perigo
Eu queria desafiar a vida
Eu queria o seu abrigo
Para a minha alma ferida

Nunca mais amei ninguém
Desde que você partiu
Não quero culpar alguém
Por este ato vil

Minhas palavras são versos soltos
Não consigo falar junto ao coração
Os verbos se tornam tolos
Sem a concordância da paixão

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Previsão do tempo




Previsão do tempo 


Tempo parcialmente nublado com probabilidade predicativas de indeterminadas chuvas. Na subida da Rua Mesócles, um sujeito caiu dentro de um trema e veio a falecer. Outras duas pessoas ficaram gravemente feridas na caixa baixa: o sr. Hífen e a dona Crase. Alguns pontos da cidade permanecem em estado de exclamação. A população requer uma resposta do governo. As interrogações são constantes. O povo quer saber quando, como e porque de tudo isto. Neste contexto, não podemos esquecer dos empregos. O governo disponibilizou alguns verbos para os programas radicais de coesão das classes mais gramaticais. Resta saber se a preposição votará contra no pleonasmo federal. Algumas conjunções adversativas manifestam no espaço de Brasília. Com isso, a senadora Reticência Vírgula Parágrafo, verbalizou sua análise no discurso dado ontem à noite contra o movimento transitivo indireto. Entretanto, não podemos ainda ter um resultado da interpretação textual e tão pouco de que o governo irá fazer nesta frase. Mas uma certeza nós temos: que o ponto final desta história não acabará em pizza.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Boca em chamas




Boca em chamas
(Luciano Deschamps)

Em sua pele
Refletindo o brilho dos seus cabelos
Sinto o seu cheiro de mulher

Seu calor é o sol
Sua boca...
Que chama a minha para a paixão
Me atraio nesse olhar
E te beijo no mar desta emoção...

Minha boca aquece
Chama da sua na minha
Queima minha língua de desejo
Única

Tom sobre tom
Pele sobre a minha
Pelos inteiros e medidos
Suspiros, respiros e delírios

Linha longa nos separa
Linha fina nos apara
Repentina atração inesperada
Seu nome lindo me acalma.

domingo, 3 de junho de 2012

Ato - Luciano Deschamps




ATO


Em teus seios que me prendo envolto aos teus olhares
Tragado pela coxa entre mim envolta
Em beijos leves que em mim me segues
Subo e desço e te deixo louca