quarta-feira, 18 de julho de 2012

A carta




A carta

Eu queria lhe escrever uma carta romântica
Uma carta sentimental
Onde eu pudesse expressar
O que só você deve saber

Eu queria desafiar o perigo
Eu queria desafiar a vida
Eu queria o seu abrigo
Para a minha alma ferida

Nunca mais amei ninguém
Desde que você partiu
Não quero culpar alguém
Por este ato vil

Minhas palavras são versos soltos
Não consigo falar junto ao coração
Os verbos se tornam tolos
Sem a concordância da paixão

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Previsão do tempo




Previsão do tempo 


Tempo parcialmente nublado com probabilidade predicativas de indeterminadas chuvas. Na subida da Rua Mesócles, um sujeito caiu dentro de um trema e veio a falecer. Outras duas pessoas ficaram gravemente feridas na caixa baixa: o sr. Hífen e a dona Crase. Alguns pontos da cidade permanecem em estado de exclamação. A população requer uma resposta do governo. As interrogações são constantes. O povo quer saber quando, como e porque de tudo isto. Neste contexto, não podemos esquecer dos empregos. O governo disponibilizou alguns verbos para os programas radicais de coesão das classes mais gramaticais. Resta saber se a preposição votará contra no pleonasmo federal. Algumas conjunções adversativas manifestam no espaço de Brasília. Com isso, a senadora Reticência Vírgula Parágrafo, verbalizou sua análise no discurso dado ontem à noite contra o movimento transitivo indireto. Entretanto, não podemos ainda ter um resultado da interpretação textual e tão pouco de que o governo irá fazer nesta frase. Mas uma certeza nós temos: que o ponto final desta história não acabará em pizza.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Boca em chamas




Boca em chamas
(Luciano Deschamps)

Em sua pele
Refletindo o brilho dos seus cabelos
Sinto o seu cheiro de mulher

Seu calor é o sol
Sua boca...
Que chama a minha para a paixão
Me atraio nesse olhar
E te beijo no mar desta emoção...

Minha boca aquece
Chama da sua na minha
Queima minha língua de desejo
Única

Tom sobre tom
Pele sobre a minha
Pelos inteiros e medidos
Suspiros, respiros e delírios

Linha longa nos separa
Linha fina nos apara
Repentina atração inesperada
Seu nome lindo me acalma.

domingo, 3 de junho de 2012

Ato - Luciano Deschamps




ATO


Em teus seios que me prendo envolto aos teus olhares
Tragado pela coxa entre mim envolta
Em beijos leves que em mim me segues
Subo e desço e te deixo louca

domingo, 6 de maio de 2012

Atriz


Atriz
Luciano Deschamps
12/2010

Em olhos que guardam a luz do palco
e em um abraço aquece o ato
consumado, ensaiado, decorado
rosto pálido, enfático, sorriso branco, opaco...

Fala a língua afiada palavras memorizadas
solta pausas, compassos e paradas
lenta, rápida, mágica, baixa, alta - entonação
resume perfeita a sua encenação

Sobe a cortina, você aparece
A luz acende e você obedece
Luz, som, público, aplausos
Lágrimas, suspiros, sustos, sorrisos

Blackout! Silêncio – longa pausa
Suspense, clímax, descanso, calma
Plateia levanta, aplaude de pé
Você recebe, sorri e agradece
A cortina se fecha e fica a saudade

sábado, 5 de maio de 2012

Minha vassoura

Aos meus 8 anos de idade, escrevi este poema. Com o passar dos anos, adaptei a linguagem do poema, mas a essência permanece. Espero que gostem.



Eu tinha uma vassoura de piaçava
Que parecia viva
Ficava sempre no canto da sala
Esperando a próxima varrida

Às vezes alguém a pegava
Pelo cabo de madeira
Colocavam um pano na ponta
E limpavam a sala inteira

Era o cúmulo
O acúmulo da sujeira na piaçava
Assim a vassoura não respirava!
Sonhava que alguém a limpasse
E de cabeça para cima a colocasse

O tempo passou e a vassoura se acabou
Tristes “memórias de um cabo de vassoura”
Quando enfim cheguei e olhei
Joguei-a fora, e outra vassoura comprei.